A Confraria

Somos quatro apaixonados por cerveja de boa qualidade: Pedro, Mauro, Tiago e André. Pedro trouxe do Colorado/EUA, onde viveu por alguns anos, na década de 90, a experiência com a cultura da cerveja artesanal e caseira americana. No inverno de 1998, lá do hemisfério norte, os relatos de Pedro a respeito de cervejas sensacionais, produzidas com exclusividade nos bares de Denver, Boulder e arredores, tiveram sua veracidade entusiasticamente constatada por Mauro, que até então pouco conhecia além da barreira ofuscante do marketing que gira em torno das cervejas “tipo pilsen” brasileiras.

Ao voltar definitivamente do Colorado, Pedro cansava os ouvidos de Mauro com uma história de que era possível fazer cerveja em casa. Dizia que havia feito, na casa de Jim Edwards, um amigo de Denver, e que o resultado era bom. Mesmo descrente, Mauro assentiu em comprar, num site especializado na internet, um Kit básico para produção de cerveja caseira. Tiago ficou ciente da aventura, mas fez pouco caso. Chegou o kit que continha ingredientes para uma leva de 20 litros, foi tudo misturado como mandava o manual e cerca de 20 dias depois, ao abrir-se a primeira garrafa: tssss! De que emoção fomos tomados ao ver que aquela mistura de água, malte, milho, açúcar, caramelo, lúpulo e levedura havia se transformado em cerveja! O cervejeiro de primeira leva não tem o menor senso crítico: achamos aquilo uma verdadeira maravilha, Tiago “caiu de quatro”, fundamos a Confraria do Marquês, sonhamos com a auto-suficiência cervejeira e começamos a estudar desesperadamente o assunto.

E era mesmo desesperador perceber que a Internet, hoje a mais acessível fonte de informação, era paupérrima no assunto (cerveja caseira) aqui no Brasil. Entretanto, buscas por “homebrewing” nos revelaram um mundo infinito de sites, lojas, literatura, fóruns etc. nos quatro cantos do mundo. Um dia, Tiago enviou um e-mail aos demais confrades assim: “descobri a Argentina!”. E deu inveja ver que os hermanos estavam anos-luz à frente do Brasil em termos de cultura cervejeira. Fuçamos quase tudo que eles têm, entramos em fóruns e dá-lhe fazer cerveja. A partir dessa pesquisa na internet e na literatura americana sobre homebrewing, criamos um método próprio e passamos a divulgá-lo em cursos sobre produção de cerveja caseira.

Dentre tantos sonhos da Confraria do Marquês, a divulgação da cultura cervejeira caseira sempre foi o maior. O desejo era “tornar o Brasil uma grande Confraria!”. Um site argentino, particularmente nos chamava atenção. Participamos um tempo de uma lista de e-mails deles e observamos a riqueza das informações trocadas e o sentimento de companheirismo que norteava aquele grupo sempre bem humorado. Que inveja descobrir que eles se encontravam quase semanalmente em algum bar de Buenos Aires para degustar suas produções! E nós nesse imenso Brasil? Numa das cidades mais conhecidas do mundo?? As dificuldades foram muitas, mas fomos abrindo caminho e conquistando novos parceiros no mundo da cerveja. A Confraria do Marquês ganhou muitos amigos e promoveu o 1º ECCC – Encontro dos Cervejeiros Caseiros Cariocas. Esse encontro foi o pontapé inicial da ACervA Carioca, fundada logo em seguida.

A partir daí  conseguimos unir forças com vários parceiros e alimentamos a cultura da cerveja de qualidade no país. Já são 6 ACervAs existentes (Carioca, Mineira, Gaúcha, Paulista, Catarinense e Capixaba) e promoveremos esse ano o 4° Concurso Nacional de cerveja caseira.

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