Todo cervejeiro tem seu “escritório” preferido, o meu é a Nygri, delicatessen na Tijuca com uma carta de cervejas em constante transformação. Espaço pequeno, aconchegante, com bom atendimento e petiscos maravilhosos, além das cervejas, é claro!
Passei lá esta semana para uma cervejinha rápida, mas acabei encontrando o amigo LG, que não via há tempos! Entre agradáveis discussões sobre as sensações organolépticas e a classificação das cervejas (esse assunto vale um post à parte!), resolvi provar a Monster Ale, Barley Wine da Brooklyn, que aportou em terras brasileiras recentemente.

Mais uma cerveja que entra na lista “prefiro a minha”. Com todo respeito às importadas que chegam por aqui, mas também com muito orgulho das nossas produções caseiras, preciso dizer que não achei grandes coisas essa Barley Wine. A graduação de 10% cai bem, mas o amargor é excessivo para o estilo.
Lembrei-me então de uma Barley que servimos num curso há uns anos atrás que ficou maravilhosa e de tantas outras de grandes mestres caseiros.
Bem, continuarei experimentando tudo que aparecer por aqui, inclusive a Brooklyn IPA tem sido uma grande companheira (adoro esta cerveja!), mas fica a lição: rótulo não é tudo…
Jefferson’s Beer é fruto da liberdade americana com a tradição inglesa. Utilizei 300 gramas de lúpulo num mosto formado de malte pilsen e caramelo. A lupulagem foi focada no sabor e aroma (típico de muitas cervas americanas), com um amargor equilibrado. Apesar disso, o fermento Nottingham teve uma atenuação excelente deixando a cerveja seca, característica típica da escola inglesa. Nossos próximos alunos (curso em 19/09) terão a oportunidade de experimentá-la.
(Para você que começou a ler este post e está sentindo um gostinho de deja-vu, cabe esclarecer que o mesmo foi editado, ganhando a receita completa em seu conteúdo. Por isso o post foi re-alocado, aparecendo agora como post mais recente na seção ‘AS CERVEJAS’)

Eu e meu assistente de produção!
A Jefferson’s Beer é isso, americana por princípio, mas com algumas raízes inglesas!
Thomas Jefferson foi presidente dos Estados Unidos e autor da Declaração da Independência Americana em 1776. A Declaração foi o início do processo de independência dos EUA, mas esta só foi reconhecida pelos ingleses em 1783. Neste período os americanos foram ganhando forças para derrotar as tropas britânicas.
Jefferson’s Beer é minha cerveja em homenagem aos americanos que construíram uma escola cervejeira altamente criativa, diversificada, experimental e sem limites.
Com total domínio do processo e equipamentos de ponta, os americanos utilizam a experiência das escolas clássicas e o espírito de liberdade para transpor os limites e criar cervejas com aromas e sabores inusitados que tem conquistado os amantes do néctar nos quatro cantos do mundo. Para além da gigante Anheuser-Busch (Budweiser), existem mais de 1400 microcervejarias no país que produzem um universo de cervejas que não se encontram em nenhum outro lugar do mundo. Um dos motivos desse número é o fato de que um homebrewer (cervejeiro caseiro) americano tem muito mais chances de tornar-se um microcervejeiro do que em qualquer outro país. E isso efetivamente acontece! A estrutura dos homebrewers que nem tem intenções comerciais já impressiona qualquer cervejeiro caseiro. Como exemplo, vejam o festival de cerveja envelhecida em madeira que nosso amigo Ricardo Rosa encontrou por lá!
E como exemplo da inventividade dessa escola, apresento-lhes a Flying Dog Brewery, microcervejaria de Denver que investe na imagem de suas cervejas através da parceria com o ilustrador inglês Ralph Steadman (olha os britânicos de novo!!) que produz rótulos exclusivos (e maneiríssimos!) sem respeitar nenhuma norma padrão para rótulos de cerveja. Infelizmente, como a maioria das americanas, não encontramos por aqui. Inclusive, nunca tomei! Mas o site e os rótulos já são um convite e tanto!

http://www.flyingdogales.com/
Receita da Jefferson’s Beer – American Pale Ale:
11,00 kg de Malte Pilsner
1,00 kg de Malte Caramel/Crystal – 10L
0,50 kg de Malte Caramunich
10,00 gm de Lúpulo Brewer’s Gold [7,10 %] (30 min)
10,00 gm de Lúpulo Cascade [5,30 %] (25 min)
10,00 gm de Lúpulo Brewer’s Gold [7,10 %] (25 min)
40,00 gm de Lúpulo Saaz [4,90 %] (20 min)
40,00 gm de Lúpulo Amarillo Gold [8,60 %] (20 min)
50,00 gm de Lúpulo Cascade [5,30 %] (20 min)
50,00 gm de Lúpulo Saaz [4,90 %] (10 min)
40,00 gm de Lúpulo Amarillo Gold [8,60 %] (10 min)
50,00 gm de Lúpulo Saaz [4,90 %] (5 min)
1,00 kg de Lúpulo Cane (Beet) Sugar (0,0 EBC)
1.053 o.g.
1.010 f.g
Tags: acerva carioca, lapa, lapa café, red ale, weiss

Uma grande festa da cerveja! Essa é a melhor definição para a degustação ocorrida no dia 20/08. Com 20 participantes, todos preparados com seus aventais (brinde do Júnior!), degustamos cervejas alemãs, inglesas, belgas e brasileiras acompanhadas de deliciosos petiscos preparados pela equipe do Lapa Café. Batatinhas calabresa, queijo coalho, camarão, iscas de frango ao curry, salsichas e um tal de feijão açoriano (delícia!) foram algumas das companhias do nosso néctar.

Além das comerciais, levamos a Weiss (campeã interna da ACervA Carioca) e uma red ale, ambas produções do Mauro. No final, ainda tivemos uma rodada de Strong Suffolk gentilmente cedida pela Andréia Calmon e sorteio de um brinde da Abbot (duas latas e um copo) cedido pelo Júnior!
Aguardem as próximas!


Caros amigos,
No último dia da Brasil Brau conheci o José Fernandes, proprietário da novíssima casa Lapa Café (Av. Gomes Freire 453). Como um grande aventureiro, descobriu a Brasil Brau numa noite, pegou um avião para Sampa no dia seguinte e por volta das 15 horas apareceu no stand da AcervA Carioca inebriado com o clima da BB e com as cervejas que havia degustado! Descobriu que o Lapa Café também pode (e deve!) investir nas cervejas especiais. Hoje a casa já conta com uma carta bem bacana!
Combinamos então, algumas parcerias. A primeira é uma degustação de cervejas especiais. No dia 20 de agosto, além de um bate-papo sobre o movimento mundial das cervejas artesanais, degustaremos 8 cervejas das melhores escolas do mundo (alemã, inglesa, belga e…. brasileira!).
As cervejas serão as seguintes:
1. Franziskaner (5,0%)
2. Abbot Ale (5,0%)
3. Fullers London Porter (5,4%)
4. Leffe Blonde (6,6%)
5. Colorado Indica (7,0%)
6. Paulaner Salvator (7,9%)
7. Baden Baden Red Ale (9,2%)
8. Rochefort 8 (9,2%)
Ainda levaremos uma surpresinha! Restam poucas vagas!
Inscrições: R$70
email: degustacao@confrariadomarques.com.br
Tags: bottobier, condessa dubbel vdk, empirismo, latinhas do bob
Sabemos que uma das características mais marcantes das cervejas belgas é o resultado da ação dos fermentos utilizados. Essa escola cervejeira, além de ousar em variados ingredientes, tem um certo mistério em relação às cepas que dão vida àquelas preciosidades!
Por esse motivo, foi uma grande alegria realizar um sonho antigo: conseguir “roubar” o fermento de uma cerveja belga comercial e utilizá-lo numa produção da Confraria! Na verdade foi uma operação de quadrilha, já que três “ladrões” cervejeiros estiveram diretamente ligados à ação.
Leonardo Botto conseguiu propagar a laminha de uma cerveja especialíssima que havia tomado com amigos: a Gouden Carolus Van de Keizer, safra 2001. É isso mesmo amigos, os bichinhos estavam na garrafa desde 2001!! Botto ofereceu o resultado da propagação no grupo da ACervA Carioca (não me perguntei por que ele fez isso…), o Lucio Fialho aceitou a doação e aventurou-se na empreitada produzindo 100 litros de uma trippel maravilhosa.
Todos aprovaram a cerveja, mas o próprio Lúcio percebeu que ela estava “esterificada” demais no início. Com o tempo (diz ele, já que eu só provei a delícia quando estava “muito” esterificada!) essa característica amenizou. Eu gostei muito, principalmente por ter percebido o aroma e o sabor de uma belga totalmente diferente de qualquer outra produzida por aqui, algo que lembrava mesmo algumas marcas comerciais. Com isso, ignorei os ésteres!
Aí chegou a minha vez! Lúcio guardou a lama da fermentação dessa trippel em várias garrafas de 600ml a 0°C. para tentar conservar os bichinhos. Fiquei com uma garrafa dessas e produzi então a Condessa Dubbel VDK.
Informações do rótulo:
Esta cerveja artesanal, qualidade Confraria do Marquês, foi produzida com o fermento de uma garrafa da cerveja Gouden Carolus Cuvée Van de Keizer., safra 2001. Seu colarinho é cremoso e denso, de cor bege. Tanto no aroma quanto no paladar, percebe-se notas de café, malte especiais e baunilha. Uma experiência exclusiva com a qualidade Confraria do Marquês! Boa degustação.
Adorei a cerveja, mas as notas acéticas ainda me incomodam um pouco. Consegui guardar algumas para abrir com mais tempo e sentir sua evolução. De qualquer forma, foi uma experiência maravilhosa!! Vejam breve comentário do Roberto Fonseca sobre ela.
Ps.: E para continuar no empirismo, já está fermentando uma belga-americana com o mesmo VDK!